Literalmente Edu

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6.13.2008:

HUMOR BRANCO 1


A mulher se arrumou toda. Olhou pela janela e viu a chuva correr pelo vidro como lágrimas incessantes. Olhou para o seu Rolex e ficou ainda mais agitada. O tempo voava impávido. Passou o batom, soltou os cabelos e saiu. Quando chegou na rua, foi atropelada e morreu na hora.

Fim

HUMOR BRANCO 2


O cachorro não parava de latir. Todos os dias e todas as noites bastava ouvir qualquer ruído, que o cão latia sem parar. Tinha pelos negros bonitos e brilhantes. O dono passava escova e secador todos os finais de semana. Um dia um vizinho, muito irritado com os latidos, abriu o portão da casa na calada da noite e jogou um pedaço de carne envenenada pro cachorro. O dog viu a cena e partiu pra cima do vizinho, mordendo-o no pescoço. O homem morreu na hora e o cachorro pouco depois, engasgado com o sangue da carótida do vizinho. O pedaço de carne envenenada apodreceu no meio das flores do jardim.

Fim.




EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 11:57

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4.11.2008:

OS INTOCÁVEIS



Há uns 10 anos fui à uma exposição do Miró no CCBB e achei uma porcaria. Sou um “idiota plástico” como dizia Nelson Rodrigues sobre sua ignorância em matéria de artes plásticas. A minha namorada da época, que estava ao meu lado neste fatídico dia, me deletou na mesma data e local. Só não fui linchado em praça pública porque não havia ninguém nas praças públicas. Era domingo e o Centro do Rio, para quem não sabe, é habitado nesse dia apenas por sonolentos mendigos e pelos raivosos engajados. Talvez você esteja se perguntando: “mas quem são os engajados??”. Vou tentar explicar. Os engajados não têm idade definida. O certo é que freqüentam os teatros (principalmente o Teatro Leblon), cinemas cults e/ou estudaram teatro na CAL. Julgam-se de vanguarda; odeiam o Bush; querem o Tibete livre e a liberação da maconha. Olham para os beijos de pessoas do mesmo sexo e bocejam entediados. Enfim, são liberais em tudo. Mas vai você falar mal de algum dos intocáveis deuses dessa tribo. Sim, eles são politeístas. Têm seus deuses intocáveis como Miró, Glauber Rocha, Guevara etc. etc. Mas o que vocês não sabem (ou talvez saibam...) é que essa tribo possui vários defensores entre os intelectuais da nossa elite artística. Juntos, são como uma grande seita que forma a opinião da grande maioria. Há poucas semanas atrás, quando o “casseta” Madureira disse que achava Glauber Rocha uma merda, a tribo e a elite gritaram mais que as fãs do Wando quando atiram calcinhas no obsceno cantor. Queriam crucificar o “casseta” como os fundamentalistas do islã com aquele cartunista holandês que ousou fazer piada com Maomé. Até o Arnaldo Jabor, coleguinha do Glauber da época do chatíssimo e mal produzido Cinema Novo, deu um ataque em grande estilo literário. Se o Glauber é gênio para muitos, pode ser sim uma besta para alguns. Por que não? Se essa “elite intelectual” acha Guevara mais importante que Cristo, por que um cidadão do mundo das artes não pode achar Glauber uma merda? Eu acho tudo muito chato. Todos muitos chatos também. Eu tenho os meus ídolos. Admiro muito Nelson Rodrigues, Nietzsche, Fernando Pessoa, entre outros. Mas se alguém achar qualquer um deles uma merda, tudo bem. Pelo menos o cara se interessou em conhecer as obras dos caras pra achar uma merda. Mas o que eu queria dizer, e demorei tantas linhas para conseguir, é que tenho uma péssima lembrança do Glauber por outro motivo. Certa vez fui fazer um curso de roteiro para documentário com uma das ex-mulheres do grande cineasta no Parque Laje. Cheguei na hora certinha da primeira aula e me sentei junto com os outros cinco alunos. Na introdução da aula, a distinta viúva pediu que cada um citasse seu documentário preferido. Quando chegou a minha vez, citei dois: A Janela da Alma e Edifício Master. Para meu espanto, a viúva do gênio deu um berro e clamou: “não! Não e não! Edifício Master não! É um horror! Eduardo Coutinho explora a miséria humana para ganhar dinheiro”. Foi mais ou menos isso que ouvi da ex-mulher-viúva do Glauber, acrescido do olhar de reprovação dos meus colegas de sala, que depois fui descobrir que eram os mesmos das outras duas edições do curso. Gostavam tanto que acabavam voltando. É lógico que me senti “excluído” e nunca mais voltei. Morri em 150 pratas! Maldita hora em que fui dizer que tinha gostado de “Edifício Máster”. Mas aqui, nesse blog desconhecido, longe dos olhares da nossa elite intelectual e dos "engajados", posso escrever em alto e bom som (sic): Glauber é uma merdaaaaaaaaaa!

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 17:39

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1.8.2008:

Amor por um Fio



A mulher estava no terraço do edifício. Seu vestido de noiva estava rasgado e sujo. Seu rosto brilhava na noite estrelada com a maquiagem borrada pelas lágrimas e pelo suor. Era muito bonita na plenitude dos seus 27 anos. Agora estava ali, no terraço do edifício, semblante distorcido e os seios subindo e descendo com a respiração forte e ansiosa. Lá embaixo via o noivo, também suado e olhando para cima com a vergonha e o desespero saltando pelos olhos. Outros convidados do casamento iam chegando e se aglomerando na calçada em frente ao prédio.
- Susana!!!! - Gritou o noivo suplicante - Por quê? Por quê?
A moça chegou até a beira do terraço, subiu no murinho e ficou ali, se equilibrando. O edifício tinha apenas 4 andares, porém cair dali com certeza poderia ser pior do que cair das nuvens.
- Por quê?? Não sei Marcelo! Só sei que não posso me casar! Não posso!
Marcelo chutou o meio fio indignado
- E só agora me diz isso? Você teve 6 anos para pensar! Merda! Isso não está acontecendo!
Marcelo andava de um lado para o outro raivoso, incrédulo...Os convidados ficaram cochichando no lado oposto da rua. O pai de Susana, quando viu a cena, caiu com as mãos no peito e foi levado para o hospital. Sua mãe chorava com um lencinho estampado sobre o rosto, amparada pelo filho caçula.
- Exijo uma explicação!
De repente, vem uma voz do prédio da frente.
- Susana, não faça nenhuma besteira!!
Susana olhou para o homem que surgiu na sacada do prédio da frente.
- Quem é você???
- Sou o Maurício!! O cara que você conheceu na Internet!!
A mulher arregalou os olhos.
- Maurício!!! Eu...Não vou casar! Por sua causa!
O noivo lá embaixo ouvia tudo perplexo. Deu um chute no carro estacionado em frente ao prédio da sua noiva.
- O quê?? Que porra é essa? Você vai me trocar por um nerd da Internet?
Susana olhou para baixo.
- Nerd? Ele é um gato! Pelo menos pela foto...
Disse, tentando ver melhor o homem no outro prédio.
- Eu te amo, Susana!! Desde a primeira vez que vi você na Internet...
- Viu como? - falou o noivo totalmente indignado e incrédulo - Você mandou foto sua para esse sujeito, Susana?
- Mandei! Aquela que tiramos em Abrolhos.
- Maldição!! Aquela de biquíni branco?
- Exatamente!
- Merda! Só pode ser sacanagem! Quer me dizer que nunca viu esse cara ao vivo antes???
- Não é bem assim...Ele me mandou uma foto!
- Foto? E daí? E se for a foto de outro?
Susana olhou fixamente para o prédio da frente. Tudo que via era a silhueta de um homem.
- Era você mesmo na foto, né Maurício?
- Claro! Você acha que eu mandaria uma de outro cara?
Fez-se um infinito segundo de silêncio. O noivo continuava andando de um lado para outro em desespero. Maurício equilibrava-se na beirinha da cobertura do edifício.
Cerca de 10 metros separavam um prédio do outro. Susana continuava em cima do murinho do outro, com uma aparente intenção de se jogar.
- Susana! Deixa dessa loucura e vamos para a igreja! Nunca se abandona um marido no altar!
Susana ficou em silêncio. Seu rosto retratava fielmente a dúvida.
- Não vá, Susana! Lembre-se das madrugadas que ficamos conversando na Internet! Dos poemas que fiz para você!
- O quê? Você recebia poemas deste sujeito?? Aposto que é tudo copiado de outros autores! É fácil te enganar, Susana...Você nunca leu nada!
- Mentira!! Eu leio revistas e jornais!
O noivo balançou a cabeça em sinal de desalento.
- É verdade...Revistas de fofocas e colunas sociais de jornais sensacionalistas.
- Mentira! Maurício! Não acredite nele!
- Claro que não, meu amor! Você é mais que um amor virtual! É uma realidade!!
Susana nada disse. Tentava ver melhor o homem que gritava do prédio em frente. De vez em quando olhava para baixo e via seu noivo andando de um lado para o outro. Os convidados acompanhavam a tudo com semblantes distorcidos e almas vibrantes.
- Susana! Chega desta porra! Eu vou subir!!
- Se você entrar neste prédio eu pulo!
O noivo interrompeu o movimento bruscamente. Passou as mãos sobre a cabeça. Parecia não acreditar no que acontecia.
- Isso não pode ser real!!! - gritou passando as mãos sobre o rosto.
O homem do prédio da frente falou com desdém:
- E não é mesmo! É um amor virtual! Você não sabe o que é passar horas diante de uma tela se dedicando apenas a uma pessoa. O mundo é só você e ela. Não existe perigo! Tudo pode ser dito com uma sinceridade rodrigueana.
- Cala a boca, nerd! Deixa eu falar com a minha noiva!
- Pára de chamar ele de nerd!! O Maurício é um cara muito culto!
O noivo sorriu com toda ironia possível.
- É mesmo? Já soube de muita gente que entra nestes chats da Internet com vários livros na mão. Tudo cópia! A Internet é um teatro de atores ocultos.
Susana ficou pensativa.
- Você não copiou nada não , né Maurício?
- Que isso, meu amor?! Eu estudei em Paris; Falo 4 línguas; fui campeão de natação em Los Angeles; malho muito...
- Queria te ver mais de perto Maurício.
O noivo chutou de novo o carro.
- Você acredita nessa merda toda? A Internet é uma ilusão meu amor! Eu sou a realidade!
- Pois é...Eu não sei se quero viver essa sua realidade de bebida, mentiras, mau humor, traição...Ou você acha que eu esqueci da sua secretária?
O noivo empalideceu, mas logo se recuperou.
- Aquilo foi um deslize, amor...Você disse que tinha me perdoado, não disse?
- Disse!
- Então?
- Então não sei...Perdoei, mas continuo desconfiando. Não nasceu ainda um homem fiel.
- Eu sou fiel! Só entrava na Internet para falar com você! Nunca te traí conversando com outra mulher.- Gritou Maurício.
- Porra, Susana! Deixa esse cara pra lá e vamos para a igreja! Ou você vai casar dentro de um computador?
- Suas ironias não podem impedir o nosso amor! Susana me ama! Ela escreveu isso várias vezes enquanto conversávamos no chat.
- Cala a boca, seu nerd miserável! Desce aqui se você for homem!
- Não vou brigar com você! Aposto que é um maldito Hacker!
- Hacker? Acha que eu perco tempo entrando em bate-bapo de Internet? Tenho mais o que fazer!
- É...encher a cara e trair sua mulher, por exemplo...
- Isso não vai mais acontecer! Eu te juro Susana!
Susana escutava a tudo com a dúvida saltando pelas suas feições inseguras. As lágrimas caíam suicidas pelo seu rosto e se estatelavam na calçada fria da rua.
- Maurício! Daqui não dá pra te ver direito!
Maurício olhou em volta e encontrou uma solução. Havia um fio relativamente grosso que ligava um prédio ao outro.
- O fio! Vou até aí pelo fio!
- Oh! Você arriscaria a vida por mim? Viu? - disse olhando para baixo- Você é meu noivo há 6 anos e nunca fez isso...
- Deixa de ser patética, Susana! Esse cara quer fazer é charme! Ele não vai ter coragem! Não vai ter! Não tem computador que dê jeito nisso!
Maurício olhou para o fio pensativo. Realmente era um risco atravessá-lo. Mas não podia voltar atrás.
- Eu vou, Susana! Juro que vou!
- Então vem, meu amor! Vem!
- Essa eu quero ver! Esse cara vai se esborrachar aqui em baixo! Eu é que não vou socorrê-lo...
- Viu como você é insensível? É por isso que eu não quero mais casar!
- Insensível? E você é o quê? Me deixar esperando na igreja! Isso é uma sacanagem! Nunca mais poderei olhar para a cara dos meus amigos! - disse olhando para os convidados- Todo mundo vai dizer: " Lá vai o otário que foi abandonado no altar" e as mulheres vão dizer: "Tadinho, tão bonzinho". Eu não quero ser bonzinho, entendeu? Seria a minha ruína! Todo corno é bonzinho!
- Tá vendo? Só pensa nesse seu orgulho de macho! Nunca se preocupou com o que eu estava sentindo!
- A culpa é sua! Você ficava horas e horas na frente do computador! Merda! Maldito Bill Gates!
- Eu preciso dele para fazer pesquisas...
- É...Agora sei que tipo de pesquisa fazia... Traidora!
- Olha quem fala! A secretária...
- Merda!
- Susana! - interrompeu Maurício - Eu vou até aí! Deixa esse insensível pra lá!
Os convidados já estavam acomodados encostados em carros; sentados no meio-fio...Ninguém falava nada. O máximo que se escutava eram murmúrios baixinhos e indecifráveis. Um vendedor de biscoitos tentava lucrar alguma coisa vendendo para os convidados.
Susana olhou para o outro prédio e viu a silhueta de Maurício. Sua curiosidade feminina estava a ponto de explodir.
- Vem logo Maurício! Você consegue!
Maurício começou a travessia. Segurou o cabo com as duas mãos e foi indo devagarinho. Todos os convidados prenderam a respiração. O noivo olhou atentamente para o internauta e começou a rir escandalosamente.
- O cabo vai partir!! Ele é uma bola de gordo!! Hahahahaha!!!!
Susana empalideceu.
- Não é gordo nada! Não é , Maurício?
- Puf! Puf! - foi tudo que este conseguiu dizer.
- Susana, tem certeza que este cara te mandou uma foto? Você já teve melhor gosto, querida....hahahahahaha
- Cala a boca! Ele vai conseguir...
Maurício estava já no meio do trajeto.
- Espere! - Susana estava pálida- Maurício, não me disse que era loiro? Na foto você está loiro!
- Puf! Puf! São...as luzes...Puf!...Enganosas da ...Puf!...Noite!
- Viu? - falou um noivo triunfante - Aposto que a foto não era dele!
_ Puf! Puf! Estou chegando...
Susana forçou a vista embaçada pelas lágrimas e ficou mais branca que o seu vestido.
-Maurício! Você estava com o corpo definido na foto! Agora estou te achando tão...Tão volumoso...
- Puf! Puf! É a roupa...Puf! Puf!...Meu amor!
-Hummm....
-Hahahahahahah!!! O cara é uma bola! Viu Susana? Desce logo e vamos para a igreja! Pára de palhaçada!
- Não ! Não vou! - Susana falou ainda mais insegura, com os olhos fixos em Maurício.
- Maurício! Você estava mais alto na fotografia...
-Puf! Puf! Estava...Puf! Puf!...De salto...Alto...
- O quê??????
Maurício estava quase chegando. Susana olhou com bastante atenção e quase caiu.
- Não acredito! Não pode ser! Não ! Não! Você é uma mulher!! Acho...
- Hein??? - surpreendeu-se o noivo lá de baixo - Que porra é essa?
- Puf! Puf! E...o que tem...Puf! Puf! Demais? Puf! Puf! O amor é...Puf!... Amplo, independe....puf! Puf! De sexo!
- Nãoooooooooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!! Susana berrou e balançou o fio com força.
Maurício despencou com um gemido e estatelou-se na calçada. Todos correram para vê-lo de perto. Era mesmo uma mulher. Agonizava no chão. O noivo aproximou-se perplexo. Olhou para ele e logo voltou seu olhar para Susana, enquanto os outros socorriam a vítima.
- Calma, meu amor!!! Eu te perdôo! Eu te amo! Eu vou até aí!
Susana nada disse. Parecia em estado de choque. Parada, ali na beira do murinho, quase pulando.
- Chamem uma ambulância! - gritou alguém
Vários celulares entraram em ação ao mesmo tempo. Quando o noivo chegou ao murinho, suas feições se transformaram. Susana estava agora no fio, passando para o outro prédio.
- Susana! Volte aqui!
A noiva não lhe deu ouvidos. Continuou com as mãos agarradas no fio movimentando-se para o outro prédio. Marcelo não esperou um segundo. Pendurou-se no fio e foi rapidamente até a sua noiva. Alcançou-a no meio do caminho.
- Susana! Cuidado! Estou aqui para te ajudar, meu amor!
Susana tomou um susto. Tentou olhar para trás.
- Me deixe, Marcelo! Eu não mereço o seu amor! Vá amar a sua secretária!
- Esqueça isso agora. Temos que sair daqui. Além disso...
Não conseguiu terminar a frase. O fio partiu-se e os dois caíram abraçados no chão.
- Meu Deus! Gritou um convidado levando as mãos ao rosto. Porém eles deram mais sorte que Maurício, pois caíram em pé. Sorte relativa. Marcelo sofreu fratura exposta numa das pernas e Susana nos dois braços. Logo chegaram 4 ambulâncias. Uma levou Maurício, que estava muito mal. Uma outra, bastante luxuosa e equipada, tinha espaço para dois e colocaram os noivos nela. Ambos gemiam de dor. Quando estavam lá dentro deitados nas macas, Marcelo conseguiu olhar para o lado, preocupado com Susana.
- Não se preocupe amigo - disse um Médico - Ela ficará bem. Dispomos de computadores de última geração aqui e no hospital. Ela só não poderá usar as mãos por um bom tempo...
- Ótimo!
- Como ótimo???
- Ela não vai poder digitar num computador?
O Médico franziu o senho.
- Não…por um bom tempo! Por quê?
- Por nada! Hahahahaha!!! Por nada!!! Hahahaha
- Não está sentindo dor, senhor? – perguntou o médico
- Estou! Tá doendo pra cacete!! Hahahahahahahah.....

(fim)







EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 11:00

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12.14.2007:

O meu amor nasce onde o caos sorri.
Impávido inverno da flor deslumbrante.
Nada é como o que te pedi
Nada em mim se dá como era antes.

Meu amor só te serve nos intervalos das suas desilusões.
Bálsamo perecível que fecha as feridas da sua vida.
Trágico ladrão de corroídas emoções.
Descartável paixão enlouquecida.

Meu amor é uma tolice pálida
Que você cora com seu toque irresistível.
Retumbante fracasso da verdade pura e nua
Mordaz desprezo coroado pela ausência sua.

Sofro na repetição dos meus dias
Nesta sucessão de dores desérticas
Neste ocaso diário de sorrisos infinitos
Afogados num poço de lágrimas poéticas.

Nosso amor é uma sensação perdida
Morro a cada segundo que você se distancia
Cada lembrança expõe nova ferida
Pois te amei enquanto me esquecia...

(Eduardo Mello)

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 10:15

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12.10.2007:

Frases



“Os homens amam melhor quando traem”.


“Só os idiotas conseguem ser inéditos todos os dias”.


“Como é bom ver a chuva cair sem dar explicação à terra”.


“Não pare a cabeça, não diga amém
Não venda sua alma a ninguém”.


“Poucas coisas podem ser piores
do que uma força de vontade frágil”


“Não quero uma mulher que lave as minhas cuecas mas também não quero uma mulher que use as minhas cuecas”.

“A vida parece ser uma eterna briga entre o que você é e o que os outros desejam que você seja”.

“Por que as velhinhas teimam em andar de guarda-chuvas abertos debaixo das marquises em dias de chuva?”


“O pior tipo de burrice é a inteligente”.


“O meu amor nasce onde o caos sorri”.


“Mesmo as feias ficam lindas em Búzios”.


“Só eu sei o quanto tento segurar as verdades que minhas mentiras não sustentam”.


“O pior ridículo é o que repete sem pensar o ridículo dos outros”.
“A certeza da morte é o combustível do amor infinito”.


“Coragem é dizer eu te amo sem ter a certeza da reciprocidade”.


“Estou apaixonado. Só não sei por quem”.


“Nunca mais é o tempo que eu preciso pra te ver de novo”.


(Eduardo Mello)







EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 12:29

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11.19.2007:

Repita Comigo


Nelson Rodrigues dizia que a repetição é a melhor figura de linguagem. O mestre achava que todo sujeito inteligente devia ter “no mínimo 5 idéias fixas”. Mas o nosso maior poeta dramático podia dizer o que quiser. Quer dizer, pode agora através da sua obra eternizada. No seu tempo não houve ninguém mais polêmico e criticado do que Nelson Rodrigues. Um cara que escreveu milhares de contos geniais repetindo o mesmo assunto: a traição. Suas verdades afiadas não perdoavam o coração de uma sociedade hipócrita. Agora eu, esse pobre escritor de uns poucos leitores, insisto em repetir que a repetição é mesmo a alma do grande artista, cientista, arquiteto ou advogado. Só os idiotas conseguem ser inéditos todos os dias. A burrice sempre nos surpreende com coisas novas. Nada mais original do que a ignorância que se aprimora a cada dia. Enquanto “Romeu e Julieta” já foi encenada mais de um milhão de vezes, as peças medíocres ficam pouquíssimo tempo em cartaz, pois logo precisam ser substituídas por outras mais medíocres ainda. O sucesso é repetitivo, o fracasso não. Zico treinava 200 faltas por dia(o que é o treino senão uma repetição?) e por isso batia faltas como ninguém. Rogério Ceni faz o mesmo hoje em dia. Oscar ficava horas e horas arremessando bolas. A fé também é repetitiva, pois rezamos sempre as mesmas orações para um mesmo Deus. O sol nasce todo dia e os dias têm sempre 24 horas. Sei que isso soa repetitivo, mas paciência. O segredo das piores e das melhores coisas do mundo está na repetição. Madre Teresa de Calcutá repetiu boas ações durante toda a sua vida. Hitler usava a repetição para convencer o povo alemão a acreditar nas suas idéias. Ambos foram eficientes, pois a repetição não faz nenhum juízo de valor. Sempre funciona, pro bem ou pro mal. A propaganda faz o que? Constrói marcas através de repetições. Sem repetição, não existe propaganda bem sucedida. Por isso quando meus amigos dizem que sou repetitivo, considero isso um elogio e tanto. Quem não gosta de repetir um beijo gostoso? Um sexo bem feito? Um livro ou filme genial? A repetição é muito subestimada por todos. É sempre considerada sinônimo de falta de originalidade, chatice, tédio etc. É sempre confundida com preguiça ou rotulada como “doença comportamental”. Poucos reconhecem, ou têm vergonha de reconhecer, o seu valor insofismável. A repetição, meus caros, é o caminho inevitável pra se chegar ao orgasmo. Por isso, pense bem antes de se intitular um "original". Às vezes até repetir o ano na escola é um bem para o aluno. Einstein que o diga. Portanto, não me envergonho nem um pouco de repetir frases, livros, paixões, pensamentos etc. Estou em ótima e má companhia. Quando um grande escritor repete sempre a mesma fórmula, chamam isso de estilo. Quando um escritor que ainda busca uma luz ao sol tenta fazer isso, chamam de falta de criatividade. Há sempre críticos de plantão (oficiais ou não). Uma vez fiz um teste com um grupo de críticos “não-oficiais”. Mostrei um poema meu e coloquei o nome de Fernando Pessoa embaixo. Ouvi várias vezes o mesmo elogio: “só podia ser dele! Só podia ser dele!”. É claro que depois fiquei rindo sozinho por algumas horas e, confesso, de forma repetitiva e irritante.


EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 16:09

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12.30.2006:

BANHO DE CHUVA

Sou um sopro que se perde na imensidão do vento.

A tempestade chegou para me alegrar.

Adoro quando os trovões são mais fortes que o barulho dos carros

Quando o assobio do vento é mais alto do que o som da TV.

A chuva que cai sobre mim lava a alma.

Recebo-a de braços abertos.

Os pingos grossos de verão pegam as lágrimas no colo.

E brincam de escorrega no meu rosto.

Não há nada entre mim e minha dor neste momento.

E vejo que ela sorri quase displicente.

A varanda virou uma piscina de águas correntes e inquietas.

Ah! Faz tanto tempo que eu não tomava um banho de chuva!

Um banho de verão.

Minha alma transbordante deixa toda sujeira cair pelo ladrão

Deus! Por que esperei tantos anos para tomar de novo um banho de chuva?

Minha infância veio à tona e trouxe com ela minha despreocupação infantil.

O ridículo me pareceu mais divetido e leve.

Aquela sensação de descoberta do prazer tomou conta de mim.

E minha vizinha sorriu.

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 09:37

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5.1.2006:

Vida Normal

Não trago nada comigo nesse dia.
A poça d'água que vejo da minha janela,
É só um pedaço de chuva que o sol displicente esqueceu.
Sou um fragmento de algo que nunca se soube o que era.
O que há em mim é uma soma de ausências perenes.
Nunca fui senão um desejo esperançoso do dia de amanhã;
Um futuro com a impossibilidade eterna de ser presente.
Querem de mim o que não consigo dar e nem ser e nem receber.
Eu não sei explicar a ironia dos meus assombros;
Nem a acidez da minha incurável impertinência.
A chuva que cai não lava nem um milímetro da minha dor.
A metafísica nada mais me diz senão o fato de ser a própria.
Como é bom ver a chuva cair sem dar explicação à terra.
O meu silêncio abraça o som dos pingos beijando a janela,
o telhado e o chão com a mesma intensidade e volúpia.
Nunca mais quero ser essa inércia improdutiva invencível.
Onde estão as tristezas produtivas dos poetas?
Onde a dor de um amor maravilhosamente impossível?
Como é cruel a melancolia do tédio da vida normal.


Eduardo Mello

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 11:35

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4.4.2006:

Mulher: bóia, âncora ou foguete?


Freud, nos seus últimos dias de vida, perguntou quase que patético: "Mulheres, o que elas desejam??". Morreu sem conseguir responder à pergunta. Outros vieram e tentaram. Sem sucesso. Porém eu, um réles desconhecido escritor tupiniquim cheguei à uma conclusão definitiva. É claro que não descobri exatamente o que elas desejam, mas sim classificá-las em 3 tipos para que vocês não sejam surpreendidos como o pai da psicanálise. Vamos a resposta. Dividi as mulheres em 3 tipos: a bóia, a âncora e a foguete. A bóia é aquela mulher que não acrecenta nada. Mas também não prejudica. Não trai e não é traída; Não ama intensamente nem é amada dessa maneira. A bóia é uma figurante, uma dublê do tédio. Não tem a possibilidade do amor infinito e nem da dor profunda. A Mulher bóia é um tipo aparentemente tranquilo. Aliás, tranquilo demais. Tão tranquilo que provoca um tédio insuportável. Para ficar mais claro, a mulher bóia está para os homens como o homem "bonzinho" está para as mulheres. Não fede nem cheira. É a encarnação do marasmo. Aí está dito tudo. Já a mulher âncora é o tipo mais perigoso, meus caros. Cuidado com elas. Mas vou tentar ser mais objetivo. A mulher âncora, como o próprio nome diz, é do tipo que afunda. Normalmente muito pesada, esse tipo de mulher te leva para o fundo do mar, ou melhor: para o fundo do poço. Quando falo que é um tipo pesado, não me refiro ao peso físico da dita cuja. Existem mulheres magérrimas que são âncoras pesadíssimas. Fiquem atendos aos detalhes. A mulher-âncora é mais atenda, mais racional. Possui uma falsa fragilidade irresistível. Nós homens, indefesos apaixonados, somos miseravelmente enganados pela sua sensualidade cruel. A âncora compete com você. Odeia o seu sucesso, embora disfarce com um sorriso de plástico nos lábios. A âncora deseja seu sangue e chama isso de amor. A âncora quer você só pra ela e chama isso de fidelidade. Calma! Não se desespere achando que todas as mulheres que você teve na vida apresentam essas características. Cuidado. Existe a falsa-âncora. Mas antes de falar nela, quero descrever o tipo mais raro, a mulher-foguete. Não digo que seja como encontrar um agulha no palheiro, mas não é nada fácil encontrar um exemplar dessa espécie que já nasceu ameaçada de extinção. Esse tipo infelizmente é difícil de ser identificado. São mulheres que possuem muita leveza, pois não carregam o peso do egoísmo, da ambição, do apego aos bens materiais, da vaidade. .. São mulheres que nos fazem flutuar e voar alto. Carregam o peso da realidade com a sabedoria que o torna leve. Voam porque sabem amar. São perfeitas aos nossos olhos. Fisicamente podem ser bonitas ou feias. Para quem estiver ao lado de uma dessas serão eternamente lindas. Aquela frase "atrás de um grande homem existe sempre uma grande mulher" é plenamente verdadeira. Uma foguete não compete com o homem, mas o ensina a brilhar. Uma foguete puxa o homem pra cima sem que ele perceba. Por isso há tanta ingratidão por parte da espécie masculina. Muitos homens preferem ser foguetes sozinhos. Não aceitam uma mulher independente, inteligente e forte. Por isso essas mulheres tão especias não foram feitas para qualquer um. Embarcar numa relação com uma delas é a possibilidade do infinito. Ocasionalmente, podem existir mulheres com duas ou até três dessas características. Algo como foguete-bóia, âncora-bóia-foguete etc etc. Também podem existir, para o nosso desespero, a falsa-foguete, a falsa-bóia e a falsa-âncora. Muito cuidado com a falsa-foguete. É um tipo que você jura que está te levando pra cima, quando, repentinamente, vira em direção ao poço e mergulha fundo. Há, em contrapartida, a falsa-âncora. Uma mulher que tem tudo pra te colocar pra baixo, mas te empurra pra cima numa velocidade surpreendente. Esse tipo também é raro, mas você deve ficar atento para não fazer julgamentos precipitados e deixar escapar uma mulher dessas. Mas o principal é identificar a âncora antes que ela te leve pro fundo. Para isso, não há uma fórmula exata. É preciso ficar atendo aos detalhes. Nos detalhes é que a mulher-âncora revela sua essência de chumbo. Normalmente, são mulheres bonitas. Isso é óbvio. Mulher feia não consegue enganar ninguém. Além disso,para reforçar essa tese, merda não afunda. Portanto tudo que posso fazer por você é avisar: preste atenção nos gestos, na maneira de andar e na sua sogra. Sim, sua mulher nada mais é do que o passado da sua sogra. Ou sua sogra o futuro da sua mulher. A Influência é muito maior do que você supõe. Vocês devem estar achando tudo isso muito confuso e complicado. Perdão, mas quando o assunto é mulheres é impossível ser exato.

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 10:43

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3.5.2006:

Teus olhos sangram belezas mortalmente feridas
O futuro tem o hábito de virar um presente não roteirizado
Vi seu sorriso derramar o nosso passado com desejo de futuro
E você sempre a única, a verdadeira, o meu caos e amor.

A filósofa diz que é obsessão o amor eterno
Pro inferno com toda filosofia de gente que tem certeza que não se deve ter certezas!
Eu não acredito em ninguém que não chore suas certezas estilhaçadas
Sou humano, demasiadamente humano para não errar diariamente
Para não amar loucamente e incansavelmente um amor não correspondido
Sou fraco e forte e manso e raivoso e santo e diabo e louco e sóbrio
E vem você com seus olhos de lua negra descongelar a alma do poeta
Descontinuar os dias de frieza e ceticismo que sua ausência iniciou.

Teus olhos sangraram uma culpa que não tens
Derramaram uma orgulhosa e trágica piedade humana
Passeei pelo reino dos filósofos geniais, pelo Olimpo dos poetas imortais e dos cronistas satíricos
Andei pelo vale das sombras da minha ilusão literária
Desencontrei todos os dogmas que vomitaram em cima de mim
E flutuei nas sobras de esperanças loucas de um dia ter você aqui.


EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 12:21

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2.24.2006:

O PENSADOR INFANTIL
( à Nietzsche)

Não se desespere com a dor atroz
Que nasce do livre pensamento
Quando você vira "eu" e deixa o "nós"
Amigo, é tão doce esse tormento.


Não pensar é ser feliz, eu sei
É uma matrix da perfeição
"Lugares que sempre sonhei"
Truque genial da globalização.


Não pare a cabeça, não diga amém
Não venda sua alma a ninguém
Eles querem sorrisos plásticos
Alegria em padronizados frascos.


Fui camêlo, fui leão encarcerado
Nesse circo de engodos aplaudidos
Sou apenas um menino perdido
Infantil pensador famigerado.

(Eduardo Mello)

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 10:02

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1.15.2006:

NADA DEMAIS


Deixa escorrer a lágrima que a esperança aprisiona.
O talo da flor que não nascerá
Poeiras e lodo e mais nada demais.
Deixa vir à tona o vômito da alma reticente.
Lama, cacos de aço e mais um milhão de corações partidos.

Não se culpe pelo nosso veneno original.
Desimportância desesperadora displicente.
Regras, tolices, filosofias, fantasias e mais outros tantos "nada demais"
Nada importa quando tudo parece que tanto importa.
Quem lembrará dos sorrisos esperançosos abertos em vão?
Quem dirá que o que fizemos, somos e sentimos valeu a pena?
O que fica é o nada demais e lembranças que logo são esquecidas.
E quando mais só nome de praças e de ruas esburacadas.
Mas não perca a alegria na hora do sol.
Não somos nada demais e por isso somos tanto para não fazermos nada.

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 23:08

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9.29.2005:

O que é seu tá guardado


Josimar estava aos prantos sentado numa cadeira naquele boteco da Lapa. Tudo por causa de Helena. Não a de Tróia, mas a de Cascadura. A moça acabava de lhe dar um "Pé" após 7 anos de namoro, fora o noivado. Agora estava arrasado e seu amigo Mariovaldo, o popular Valdinho, tentava consolá-lo.
- Fui traído, Valdinho, traído!
O amigo tentou sorrir.
- E daí? Até Cristo foi traído, meu velho.
- Mas como vou passar lá no bairro sem que riam de mim? Todo mundo sabe!Sou um corno!
- Calma aí, meu velho! Esse negócio de ser corno já tá ultrapassado.
- Sério?
- Claro! Ser corno é até cool. O negócio hoje em dia é aparecer.
- Fala sério! Eu quero é sumir!
- Calma, Josi! Deixa comigo!
- Ajudar como? Você conhece algum cirurgião plástico que cobre pouco? Eu posso mudar de rosto e.
- Nada disso! Você vai ficar famoso! Vai sair na "Caras-de-pau" e tudo!
- É? Como o "corno do ano", né? Tô fora!
- Esqueça esse orgulho de macho latino! Pense nas vantagens...
- Quais são as vantagens de ser corno, Valdinho? Tá de sacanagem?
- Muitas vantagens! Muitas! Pensa, ô mané! Você vai ficar famoso e rico! O brasileiro adora a vítima. Todo aquele que faz papel de vítima no Brasil ganha a simpatia imediata da população.
- Tá maluco, Valdinho? Quer que eu seja corno e ainda me faça de coitado? Vou te quebrar a cara!
- Deixa de ser burro, Josimar! Pensa! Olha esses programas de TV! Todo aquele que faz papel de vítima ganha a simpatia do povo. O negócio e ser traído! O povo ama os traídos que se fazem de coitadinhos!
- Tá...e você acha que eu sendo um corno rico e famoso vou trazer a Helena de volta?
- Lógico! Não só a Helena mas todas aquelas loiras gostosas que aparecem na TV e saem nas revistas! Pensa, meu velho, pensa! O povo ama sentir pena da dor alheia!
- Não sei, Valdinho...Famoso e rico tudo bem...Mas corno? Porra!
- Você quer o quê? Ficar rico e famoso sem dar nada em troca?
- Quero! Esse cara que ganhou 1 milhão no programa? Por acaso ele escreveu "Romeu e Julieta" ou "Crime e Castigo"?
- Eu sei, meu velho, mas você acha que você inteligente e criativo do jeito que é vai ser escolhido para ir num programa desses? Te enxerga, cara! Com esse teu QI alto e esse talento você está perdido!
- Droga! Que mal eu fiz pra merecer tantos dons, meu Deus?
- Calma! Há piores! Há piores! Ou você pensa que os escritores, poetas, cineastas, cronistas têm alguma chance? São os excluídos! Gente que insiste em pensar e criar! Jamais terão uma chance na mídia. Sinto uma pena enorme desses coitados genias. Leonardo da Vinci, se vivo fosse, estaria naquela fila gigante da prova para Gari.
- Putz! E se descobrirem que eu fiz aquele curso de filosofia??
- Calma! Ninguém precisa saber! A gente diz que você é apenas um traído. Um cara que nasceu pobre e nunca teve nenhuma chance na vida. A burrice vende! A burrice vende!
- Hummm...Será que esse negócio de ser corno ainda vende? Acho que já caiu no lugar-comum.
- Aí é que está! Você precisa parecer o "corno-burro". Assim toda a massa gigantesca de idiotas será solidária.
- Talvez...Mas eles não assumem que são cornos! Não sei não...
- Não sabe o quê? O que você quer mais além de fama, dinheiro e mulheres?
- A Helena. Eu amo a Helena!
- Calma. A Helena vai vir correndo pro seus braços. Lembre-se: o que é seu tá guardado!



EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 10:24

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7.6.2005:

Quando a vejo guardar a lágrima do desejo
Quando a vejo secar o choro do amor
Cai em mim o seu suspiro exitante
Coerente como todo temor.

Acertar é sempre fácil para quem pouco tenta
Errar não é tão humano quanto parece
Para quem pouco ou nada acrescenta
O "nada a fazer" sempre apetece.

Sou acusado de ser radical
Porque tento viver assim
Fugindo do que é igual
Desejando escrever outro fim.

A ignorância é o motor da maldade
A burrice o seu combustível
Mundo de conformadas desigualdades
O "não-fazer" é mesmo irresistível.

Seus muros são cada vez maiores
Nem sempre destruir é mais fácil
Poucas coisas podem ser piores
Que uma força de vontade frágil

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 14:51

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6.25.2005:

[6.6.05 2:59 PM | EDUARDO MELLO GUIMARÃES]
Os homens amam melhor quando traem.


Quando ofendemos alguém o normal é fazermos de tudo para obter o perdão do agredido. Do mesmo modo, quando o homem trai ele volta para sua "titular" com culpa e por isso mesmo, cheio de amor pra dar. A diferença entre o infiel e o canalha é justamente a culpa. O canalha não ama ninguém que não seja o cara que ele vê todas as manhãs quando olha pro espelho. É um impotente de sentimentos. Portanto o sentimento de culpa para ele é uma impossibilidade total. Já o "infiel" nada mais é do que um homem respeitando sua natureza. Porém a mulher jamais deve estimular a infidelidade. O homem precisa do "risco" e principalmente do sentimento de culpa. A mulher nunca pode compreender isso. Tem que achar canalhas e infiéis farinha do mesmo saco. O papel da mulher é jamais aceitar a infidelidade. E do homem é negar sempre que seja infiel. A mulher de um infiel é muito mais amada do que a de um homem constante e fiel. O amor de um infiel é mais intenso, pois vem recheado de culpa, medo e um profundo carinho. O amor do infiel tem mais paixão, mais volúpia e muito mais tesão. O fiel exala um amor entediado por séculos de submissão a um modelo ocidental social que contraria a natureza do homem. O infiel é fiel ao amor e não a hipocrisia. O canalha é hipócrita e egoísta. O infiel é uma criança procurando compreender o amor e sua essência. O canalha trai por orgulho. O infiel trai por amor. Sei que é muito difícil para a mulher aceitar isso. Ela foi criada para encontrar "cara-metade", "alma-gêmea" e outros engodos. A mulher foi obrigada a aceitar e defender com unhas e dentes a cultura da fidelidade e cobrar isso do homem. Por isso sofre tanto quando se depara com a realidade infiel da natureza masculina. Vira uma ressentida que se junta a outras ressentidas e ficam repetindo que "os homens são todos iguais". Esse engano terrível tem de ser mudado. A mulher tem sentimentos muito mais nobres que o homem. A mulher é espírito. O Homem é matéria. A mulher admira a inteligência e a cordialidade. O homem admira os homens canalhas. A mulher conta tempo de namoro. O homem conta número de orgasmos. E é na diferença que eles se encontram. O erro é achar que temos que ter comportamentos iguais. O fim de tantos relacionamentos se explica pelo conflito dos desejos amordaçados. É claro que é muito difícil de se aceitar isso. São séculos de hipocrisias e tabus. São séculos e séculos de religiões que propagam um Deus que pune, castiga e joga no inferno. É a "Indústria do Medo e da Culpa" estendendo os seus tentáculos até a nascente do Coração Humano e separando homens e mulheres da sua verdadeira natureza sagrada.

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 16:04

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4.23.2005:

Eu sou assim, mas é sem querer



A vida parece ser uma eterna briga entre o que você é e o que os outros desejam que você seja. Sei que esse assunto parece esgotado, mas aí que está. Quando ninguém quer mais falar sobre algo amplamente discutido é hora de trazer a discussão de volta. Não pretendo me ater à filosofia, pois com certeza a minha cabe num copo de geléia do boteco da esquina. O que me fez refletir sobre o desejo da maioria que você não fuja do lugar-comum foi meu aniversário de 40 anos. Falam da crise dos quarenta, mas juro que não senti nada de tão especial assim. Porém confesso que minha emoção foi às nuvens ao ver as homenagens criadas pela minha "Poeta-Maior", minha mãe. E os textos maravilhosos da minha querida madrinha e dos meus irmãos. Eu, que adoro frases de efeito, fiquei durante muitas horas sob o efeito daquelas palavras tão lindas e inesquecíveis. Aquela frase babaca que aparece no final de cada fita de vídeo "A vida é feita de momentos, o vídeo as eterniza" me soou naquele momento como uma verdade profunda e inapelável. Tudo bem, não era sobre o meu aniverário que eu queria falar. Na verdade, ainda estou emocionado com o talento da minha mãe e a sabedoria do meu "Filósofo-Maior", meu pai. Eles estão prestes a completar 50 anos de casados, o que, convenhamos, é um verdadeiro milagre nesses dias de tantas solidões sozinhas ou acompanhadas. Falo dos meus pais, porque eles contrariam o que penso sobre a vida a dois. Falo deles, porque quem os conhece sabe que parecem um casal de adolescentes apaixonados. Eu, melhor que todos os meus irmãos neste ponto, porque saí de casa para morar sozinho aos 38 anos de idade, sou testemunha de um amor que precisaria de um Shakespeare-Apaixonado para reproduzi-lo. Como estou longe de sê-lo, prefiro dizer apenas que não conheço outro igual. Quando eu tinha 15, 17 anos, queria encontrar e viver um amor assim. Mas com o passar dos anos, a vida foi me mostrando outros caminhos, inclusive o meu. O que quero dizer e precisei de todas essas linhas acima para conseguir é que não acho que a vida a dois seja uma lei inquestionável. Não sei se o casal é a melhor forma de relacionamento. Talvez seja para muitos, mas ainda não sei se é para mim. Se cheguei aos 40 sem ter me casado ou tido filhos, não quer dizer que eu seja um egoísta ou que esteja tentando ser diferente ou que seja viado. O engraçado é que o ser humano tem a vocação pela discriminação. Seja religiosa, política, racial, sexual,futebolística, nacionalista etc. etc. Assim como o cara que nasce em Nova Iorque discrimina o que nasce no Sudão, o seu vizinho da cobertura discrima você. Vivemos nos achando melhores ou, às vezes, sentindo pena de quem é muito mais feliz do que os nossos valores enferrujados imaginam. Por isso, não discrimino quem quer viver de maneira diferente da minha. Se o cara quer casar e ter 15 filhos, ótimo. Está garantida a preservação da espécie. Mas não aceito que me digam o que devo fazer pra tentar ser feliz. Entendo a minha mãe e respeito toda educação católica que ela teve e a criação que era para o casamento. Além disso, aceito com ternura o anseio que ela tem de me ver bem, o que significa casado e com filhos. Mas confesso que é difícil explicar que sou feliz do meu jeito. Como explicar para todas as pessoas que nunca chegaram aos 40 anos solteiras e sem filhos que isso pode ser maravilhoso? Eu não fico perguntando o porquê deles terem casado cedo. Então por que devo fazer o que eles querem? Muitos já estão separados e brigam na justiça onde os amores de antanho ganham páginas e páginas de ódios cheios de razão. Mas nada disso tem a ver com a maneira que eu vivo. Não escolhi meu estilo de vida, ele aconteceu. Não existe causa ou ideal. A vida vai me levando, como dizem os poetas. Amei algumas mulheres intensamente. Aliás, conheci mulheres de todos os tipos. Teria me casado com algumas delas. Mas as que eu mais quis, não me quiseram. Pelo menos quando eu as quis. Só quiseram depois que perderam o tempo. O que posso fazer? Devo me casar para deixar o mundinho a minha volta feliz? Gente, não tenho nenhuma importância. Juro que o fato de eu ser ou não ser solteiro não vai fazer os juros caírem nem aumentar o efeito estufa. A árvore aqui da esquina da minha rua não vai ficar com menos ou mais folhas por minha causa. A oportunidade de poder estar aqui com tanta gente interessante e amiga é o que me importa. Esqueçam como eu vivo, mas não se esqueçam de mim.

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 16:18

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4.11.2005:

O melhor texto de Washington Olivetto


Não me lembro bem quem disse que uma frase pode mudar o destino, o rumo da história. Às vezes tudo parece perdido quando alguém chega e surpreende. Como Pelé, nosso eterno gênio, tinha a capacidade de fugir do esperado com suas jogadas magistrais. Um craque que tinha a possibilidade de transformar derrotas inevitáveis em vitórias surpreendentes. E não foi só o nosso inesquecível camisa 10. Não. Muitos outros gênios em diversas áreas surpreenderam e mudaram o rumo das coisas. É claro que são poucos se pensarmos no número total de pessoas que estão ou já passaram por esse planeta. Mas por isso mesmo é que são gênios. Na publicidade, tivemos a grande "guinada" dada pelo Bill Bernbach e seu famoso "think small" para aquela revolucionária campanha do Fusca. No Brasil, tivemos alguns nomes que fizeram do nosso mercado um dos cinco mais criativos do mundo. Mas nenhum deles é maior do que Washington Olivetto. É claro que depois dele vieram profissionais brilhantes que nem preciso citar aqui, pois quem está lendo esse texto conhece o nosso mercado. Mas na minha modesta opinião, ninguém é maior ou mais importante do que Washington Olivetto. E agora, nesse momento em que o mercado carioca praticamente desiste de lutar pela vida e pensa em eutanásia (afinal, esse tema tá na moda), surge ninguém menos que Washington Olivetto e diz para um jornalista: "Não me pergunte porque estou mudando para o Rio, pergunte por que só agora estou mudando pro Rio". Os críticos e pessimistas poderão dizer "Ah...Ele tá fazendo isso porque perdeu a conta do Unibanco". Bom, como diz o baixinho Romário, quem tem boca fala o que quer. Não quero fazer aqui nenhuma crítica ao mercado paulista, até porque não sou um carioca bairrista (nasci na Bahia). Nem acho que o Washington esteja mudando por desgosto. Até porque a W/ Brasil continua tendo sua sede lá. Quero apenas registrar que um lance de gênio pode mudar toda uma tendência, pode impulsionar a auto-estima, mudar o astral e a esperança de toda uma cidade. A resposta do Washington deve servir de estímulo para cada um de nós, que acreditamos no potencial gigantesco do mercado publicitário e de toda essa cidade maravilhosa. Maravilhosa, sim! Uma cidade que é diariamente Fênix. Que sobrevive mesmo com tanta estupidez, ignorância e descaso. Grande Washington Olivetto! Só mesmo o nosso Pelé da propaganda para driblar a inércia dos conformistas. Seja bem-vindo, Washington. O Rio precisa mesmo de uma "chacoalhada" genial.

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 14:05

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4.4.2005:

Flamengo, céu e inferno

No domingo a noite o telefone celular não parou de tocar. Foram várias ligações de gente querendo tirar sarro da minha cara porque errei o placar e o vencedor do Fla-Flu. E daí? Que importância tem o meu palpite para as velhinhas que teimam em andar de guarda-chuvas abertos debaixo das marquises em dia de chuva? Aliás, talvez nem o Fla-Flu signifique nada para elas. E tenho certeza que nenhuma delas torce pelo Flamengo. Mas como eu adoro futebol e o Flamengo, atendi a todos pacientemente. Se bem que quando o Flamengo vence (o que normalmente acontece) há um súbito desaparecimento de tricolores, vascaínos e botafoguenses. É como se a vitória do Mais Querido abrisse uma cratera e engolisse a todos. É impressionante como a cidade fica um pouco mais vazia, embora mais alegre, quando o Fla vence. Porém eu sou compreensivo. Sei que dói na alma deles quando o Flamengo vence. Todos aqueles sentimentos ruins que os seres humanos carregam nas suas profundezas, vêm à tona. O Rio de Janeiro fica coberto de amor e ódio; de guerra e paz e de alegria e tristeza. Porque só o Flamengo é capaz disso. Só o Flamengo tem a possibilidade do céu e do inferno. Pergunte para seu vizinho se ele odeia o Olaria, o Sobradinho ou o América. Com certeza, esses clubes só existem quando alguém publica seus nomes nos jornais. São defuntos-vivos que ressuscitam a cada torneio piedoso que os inclui. Mas não o Flamengo. O Flamengo não precisa de campeonato; não precisa de estádios e nem mesmo de time. O Fla-Flu deste domingo comprovou: mesmo sem time, a camisa rubro-negra tomou 3/4 do Maracanã. Gente que vem de vários pontos da cidade, que sofre com conduções precárias, hospitais miseráveis, racismo e todas as formas de preconceito provocadas pelo descaso das autoridades ou, no caso do racismo, pela inveja dos adversários. Sim, porque o mais pobre dos rubro-negros possui a alma repleta de um amor impossível para os "não-flamengos". Não tenho dúvidas: Shakespeare era Flamengo. Romeu e Julieta foi escrita sob inspiração divina e, como Deus é brasileiro e rubro-negro, nem preciso explicar mais. Ah! E Nelson Rodrigues, um tricolor nato e hereditário escreveu: "Para qualquer um a camisa vale tanto quanto uma gravata. Não para o Flamengo. Para o Flamengo a camisa é tudo. Chegará o dia em que o Flamengo não precisará de time, nem de técnico, nem de nada. Bastará a camisa rubro-negra aberta no espaço. E diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável". Portanto, para aqueles ressentidos que dizem que o Flamengo é o time do mau, digo que concordo. Quantas maldades o Mais Querido não fez com todos os outros clubes do Brasil e particularmente, aos 3 times do arco-íris? Realmente, às vezes penso que o Flamengo devia ganhar menos; ser menos campeão; ter uma torcida um pouco menor e menos apaixonada. Sartre dizia: "O inferno são os outros". Exato. Para vocês, ressentidos do arco-íris, o inferno somos nós.

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 23:12

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3.29.2005:

A vida pode ser fria, graças a Deus!

O mundo se resume, pelo menos hoje aqui no Rio e em Ipanema, a quem tem e quem não tem ar condicionado. Nesse momento olho da janela do sétimo andar aqui do Fórum e vejo gente sem camisa na praia e apartamentos com janelas fechadas. Com certeza todos os apartamentos têm ar condicionado. E todos estão ligados. Fui almoçar e o restaurante pequeno tinha 3 aparelhos de ar condicionado. O termometro do relógio da Praça Nossa Senhora da Paz estava marcando 39 graus. Isso bastaria para causar uma crise de gente mal-humorada. Mas há o Fórum e seu ar condicionado potente para nos salvar. Nenhuma palavra, nenhum texto é capaz de descrever com exatidão a sensação maravilhosa que é vir pela calçada e entrar no geladinho corredor do prédio do Fórum. Somos contagiados instantaneamente por um súbito e arrebatador bom-humor. Todas nossas crises e angústias ficam para trás, estateladas na calçada perenemente cálida. Somos contagiados por uma euforia que nos faz esquecer da alta dos juros, dos clientes que fizeram MBA e até das irritantes velhinhas que teimam em andar de guarda-chuva por debaixo das marquises em dias de chuva. Aliás, não existe um debate no Brasil sobre isso. Mas tudo bem. O ar condicionado cura tudo. Não me venham com alergias, asmas, bronquites etc etc. O médico que diz aqui no Rio que ar condicionado faz mal, deveria ser condenado a viver confinado num conjugado em Bangu. Sem ar condicionado, é claro.

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 15:07

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12.14.2004:

A festa da segunda edição do Sorria, você está sendo filmado BOMBOU em SAMPA!!
EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 18:06

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12.3.2004:

ANTI-ANGÚSTIA

Meu amigo Miguel me telefonou hoje de manhã pedindo para eu escrever sobre a angústia. Me dizia ele que eu estava escrevendo coisas muito "pra cima" ultimamente. Que meus textos ganhavam em graça e perdiam em profundidade. Na verdade, o que o meu amigo não sabe é que justamente por estar angustiado é que resolvi escrever só amenidades. Não estou com a menor vontade de falar sobre as dores da vida. A minha angústia é uma ansiedade embriagada. Se preferirem, alienada. Não pensar na angústia me angustia muito. Por isso, prefiro escrever sobre tudo que não interessa. As coisas desimportantes andam me atraindo muito. Não quero filosofar sobre amores impossíveis ou sobre o desejo irreversível das mulheres pelo sofrimento. Nem quero falar sobre a angústia dos homens bonzinhos miseravelmente traídos. Não. Hoje quero falar sobre a ausência da angústia. Sobre o deserto das dores. Quero falar sobre o nada despoluído de tudo que entristece. Hoje quero descer até o porão da alma humana e não encontrar nenhum rato. Quero um porão com cheiro de eucalípto e sem teias de aranha. Vou deixar, meu caro Miguel, a chuva entrar pela janela do meu quarto e substituir as minhas lágrimas no meu travisseiro. Pelo menos por hoje quero esquecer "Crime e Castigo " e mergulhar fundo nas páginas de "Caras". Quem sabe até folhear as páginas dos sites de viagem e despistar todas as angústias que no mundo inteiro, sabem muito bem quem sou.

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 18:45

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11.29.2004:


EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 17:30

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11.23.2004:

Sex and the City


Parei para assistir a nova mania das mulheres: a novelinha americana Sex and the City. Confesso que dei boas risadas. As atrizes são bem razoáveis e o roteiro de fácil digestão. Adorei algumas passagens. Uma boa ficção, já que na realidade as mulheres estão ainda muito longe de serem iguais aos homens. Graças a Deus!!!
Porém achava que essa tentativa absurda tivesse terminado com a entrada do novo século. Mas não. As mulheres insistem numa patética igualdade de comportamento. E essa série americana só veio dar o último empurrãozinho que faltava para as nossas moderninhas das grandes cidades acharem que podem viver como homens. Que coisa mais brochante aquelas mulheres que querem transar como homens. Eu não sou gay nem lésbica para gostar de mulheres que façam sexo como homens. Até porque elas sempre reclamaram que os homens são egoístas na hora da transa. E não é que agora as mulheres querem transar primeiro para conhecer depois? Exatamente como os homens faziam e fazem. O Test-Drive sempre foi exclusividade masculina. Acho um absurdo que elas queiram agora roubar da gente até isso. Eu não quero uma mulher que lave as minhas cuecas mas também não quero uma mulher que use as minhas cuecas. É impressionante como a TV consegue ser mesmo a nova caverna de Platão. As pessoas enxergam uma realidade distorcida e tomam como verdade definitiva. E o pior é que neste caso, são mulheres cultas, inteligentes e em geral, muito bonitas. São as mais bonitas que utilizam seu corpo e sua inteligência para buscar a igualdade que supostamente a deixarão felizes. Infelizmente tudo que elas conseguem é uma patética caricatura masculina. Vai ver que é por isso que os vibradores estão em alta em todo mundo.


EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 17:17

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EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 17:15

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10.14.2004:

O Meu livro e da minha amiga Ana Beatriz já está nas livrarias: "Sorria, você está sendo filmado". O livro é uma crítica super bem humorada aos reality shows, invasão de privacidade e uma apologia aos grandes escritores da história. Olha a capa aí em cima! Bonita, né? Mas o conteúdo é bem melhor:-))
EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 10:35

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7.10.2004:

A Burrice Inteligente


O pior tipo de burrice é a inteligente. Num primeiro momento você pode achar estranha essa afirmação, mas vou tentar explicar. A burrice dos burros é esperada e resignada. É mansa, serena e não causa grandes estragos. Muito pior mesmo é a burrice dos inteligentes. Ah¿quanta desgraça, arrogância e estrago ela causa. Às vezes vem uma simples palavra de um dos gênios formadores de opinião e propaga a estupidez. Será que ainda estou escondendo o essencial? Vamos dar nomes aos bois? Melhor não¿O pior ódio é o dos inteligentes ressentidos. Principalmente das mulheres inteligentes ressentidas. Elas despejam seu ódio inteligente com a frieza de uma cascavel. Ai do homem que tiver uma mulher dessa como inimiga. Mais uma vez vão dizer que estou implicando com as mulheres. Já me perguntaram até se sou gay. Claro que foi uma mulher inteligente ressentida que fez tal pergunta. Então aproveito esse espaço para declarar que não sou gay. Mas também não tenho porque discriminar aqueles que querem ser. Ninguém pensa com a bunda e o que não falta são artistas gays brilhantes. Mas voltemos à burrice dos inteligentes. A burrice de um inteligente sincero é mais devastadora ainda. Vários "menos" inteligentes seguem sem pensar tal burrice convincente. Uma burrice com cabedal é muito menos questionada. Ela é como um quadro abstrato que ninguém entende nada mais se vê obrigado a gostar. Ninguém quer ser taxado de burro. Vejam o caso do Miró, por exemplo. Ninguém entende nada daquels rabiscos desconexos. Mas vai você falar que aquilo não te passa nada? Vai dizer que aquilo é uma porcaria? Sou um analfabeto em artes plásticas. Mas dou minha opinião baseada pela emoção. Arte para mim é emoção. Nelson Rodrigues dizia que não acreditava em nada que não provocasse lágrimas. Acho que arte sem emoção é rabisco mesmo. Se tem valor para os entendidos, paciência. Eles que façam bom proveito dessas porcarias que somos obrigados a admirar. Mas vamos falar do essencial: muito cuidado com a burrice inteligente. Ela é sedutora, consistente e convincente. Como o demônio que se veste de cor de rosa para enganar os incautos.

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 18:44

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5.12.2004:

Engodar ou embelecar?

Você está lendo certo. Não é engordar ou embelezar. Engodar e embelecar significam outra coisa e são sinônimos. A verdade é que o ato de engodar é mais visível a olho nu. Já o embelecar, embora seja sonoramente mais vulgar, exige um apurado senso de percepção analítica morfológica sobre seu real conteúdo e significado (viu como se pode "embelecar" um pensamento com facilidade ?). Mas vamos aos fatos concretos. Você certamente já viu um engodo antes. Na verdade, o engodo pode ser pessoa física ou jurídica. Pode ser homem ou mulher, pode ser um anúncio, uma declaração de amor, um objeto ou mesmo um simples gesto. Existem engodos inevitáveis como a masturbação, por exemplo. Resumindo, o engodo pode até ser metafísico. No caso da propaganda, o engodo às vezes se embeleca e toma forma de atendimento, mídia, financeiro e, não obstante, de criação. Um engodo criativo é mais difícil de ser detectado porque normalmente já vem se embelecando há anos. É claro que existem gigantescos engodos jurídicos, mas aí é outro engodo. Outra história por vezes histericamente admirada e silenciosamente repudiada. Os grandes engodos recebem grandes elogios e abafadas críticas. Aliás, todo engodo dispõe do dispositivo mágico e muito persuasivo que é o embeleco. A grande maioria, a média, tem total afinidade com o engodo. Possuem uma admirável intimidade com o embeleco. Você já deve estar se perguntando se também é um engodo. Calma. Todo mundo tem no dia a dia seus momentos inevitáveis de engodo. Às vezes o engodo é a única saída. Às vezes é até mesmo a melhor idéia. Portanto, pode vestir a carapuça sem medo. Embelecar e engodar são verbos de ação e estão sempre prontos para te ajudar nos momentos mais difíceis da sua vida. Naquelas horas onde você olha em volta e tudo que vê são pessoas sedentas de um grandissíssimo engodo. Não hesite. Embeleque o que tiver que ser embelecado e depois aguarde os tapinhas nas costas e os elogios: genial! genial! Um engodo perfeito é reconhecido e premiado. Possui no seu vazio camuflado uma casca espessa embelecada. Os engodos aplaudidos são indetectáveis pela mente mediana. Portanto, não saia por aí gritando "Isso é um engodo!" "Isso é um engodo!". No caso de ser um engodo impossível de não se indignar, utilize o embeleco. O embeleco, embora, como já disse, soe pior, é desconhecido pela grande maioria dos engodos jurídicos e físicos. Ele está aí mesmo pra te ajudar naquelas horas em que os cérebros melhores se vêem em completa impotência diante da maioria medíocre. Mas o principal de tudo é não ficar constrangido na hora de engodar o que quer que seja. Embeleque e siga adiante. O seu sucesso depende disso. Sei que você vai sempre lembrar dessas palavras quando estiver assistindo os programas do Gugu, Faustão, Luciana Gimenez etc etc. Lembre-se que engodar é uma arte refinada. Portanto, proponho uma mudança: nos momentos de desespero, ao invés de "ligar o foda-se", ligue o embeleco. E o resto que se engoda.

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 15:00

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4.22.2004:

O Homem Bonzinho


Sei que muitos vão dizer que estou ficando repetitivo. Mas outro dia uma amiga me mandou um e-mail muito simpático pedindo para eu escrever sobre esse pobre personagem: o homem bonzinho. Como vocês sabem, o homem bonzinho é aquele que vive rodeado de mulheres mas não fica com nenhuma delas. Está sempre disponível, manda flores toda hora e diz que está apaixonado logo na segunda vez que sai com uma mulher. Na verdade, ele é elogiado pelas mulheres mas todas dizem que ele é "apenas" um bom amigo. Dizem que o bonzinho tem tudo que elas queriam encontrar num homem, mas não se encantam por ele. Minha amiga , a que mandou o e-mail, disse que não tem graça ficar ao lado de alguém que não provoque emoção. Alguém que está sempre por perto e que faz todas as vontades dela. Dei uma boa risada e voltei a citar Nelson Rodrigues: - Nem toda mulher gosta de apanhar. Só as normais. As neuróticas reagem - É claro que ela disse para eu não exagerar e coisa e tal. Mas se vocês analisarem a frase do Nelson, verão uma verdade profunda. É claro que não podemos intepretar ao pé-da-letra, mas sim entender que a mulher precisa da insegurança e do sofrimento para amar. Isso vem desde Eva. É da natureza feminina. Outro dia uma amiga me disse que concordava com o tédio que o homem bonzinho provoca. Na verdade, estão surgindo várias mulheres que apoiam essa tese. Lamento por aquelas que insistem em não assumir essa verdade. Como por exemplo, uma amiga que me disse que queria um cara que lhe desse segurança, fosse romântico e estivesse sempre por perto. Aí perguntei se o namorado dela era assim e ela me disse que não, que o namorado era um cara estranho, egocêntrico e vivia viajando. Perguntei então se ela gostava dele e ela disse: claro! Amo! Aí está dito tudo. O bonzinho só serve para acalmar a sua consciência cheia de culpa. É um ideal empoeirado, encarcerado e muito bem enterrado. Ela jamais vai se apaixonar pelo bonzinho, mas sempre vai dizer que ele é o homem ideal. Mas não pensem que o home bonzinho é necessariamente gordinho, feio e de óculos. Nada disso. O homem bonzinho não se reconhece pelo físico, mas por suas ações cordiais. É um cara que pode ser bonito e inteligente, mas não se enxerga assim. Está sempre inseguro procurando uma mulher para colocar no seu maravilhoso pedestal. O problema é que 99,9% das mulheres se assustam ao se verem em tão grandioso lugar. Aí o homem bonzinho é obrigado a ouvir algo do tipo: "olha, você é uma pessoa maravilhosa, mas eu não estou feliz". E assim vai sofrendo e chorando nos ombros das várias amigas que possui. Infelizmente essas amigas não ajudam muito, pois ao invés de alertá-lo sobre o erro da dosagem, dizem algo do tipo: " Ela não te merece! Você vai encontrar alguém que te dê valor!" Desculpem, mas não acreditem nisso. O amor nada tem a ver com as virtudes. O amor é o impoderável que o exagero dos bonzinhos sufoca e a indiferança dos canalhas fomenta. Mas antes que vocês me chamem de radical, acredito que o homem não precisa ser galinha para ser amado. Mas não pode ser bonzinho. Jamais.

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 16:34

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4.16.2004:

O que homem não diz


O boteco é sempre um lugar onde o riso gosta de relaxar. Carioca que não gosta de boteco, normalmente é mal-humorado. Bracarense, Belmonte,Informal, Jobi¿São alguns dos prediletos da rapaziada. Mas não é sobre os botecos que eu quero falar. Na verdade, o mais importante é o que se diz nesses lugares. Outro dia estava no Informal com dois amigos. Papo vem, papo vai e comecei um assunto: coisas que um homem não pode dizer para uma mulher ou algo parecido. Por exemplo, uma pergunta que um homem não faz para uma mulher: "vamos sair pra dançar?" . Me perdoem, mas homem não faz esse tipo de pergunta. Não é preconceito, entendam bem. É só uma verdade de boteco. Há 500 anos que nenhum homem diz isso. Outra coisa que homem não diz: "amei a sua roupa". Não dá¿Essa frase não pertence definitivamente ao vocabulário masculino. Tudo bem que isso foi dito após algumas cervejinhas, mas é um fato. Vamos tentar visualizar melhor a situação. Imaginem vocês a cena: um cara vestido com macacão jeans, convidando uma amiga para sair pra dançar. Quando a amiga chega ele diz: "amei a sua roupa". A amiga diz que ele é um amor e ele responde dizendo que ela que é "muito fofa". Não dá. "Muito fofa" enfraquece muito¿Soa mal, concorda? Sei que o preconceito, qualquer espécie de preconceito, é condenável. Mas que fica esquisito, isso fica. E na verdade, isso é uma constatação de costumes. Não é maldade, entendam. Outra coisa que homem não faz é marcar bem as sílabas de uma palavra. Algo como "ma-ra-vi-lho-so" . É claro que neste caso, a entonação também é fundamental. Quem diz "ma-ra-vi-lho-so" meio que "escorregando" nas sílabas, deixa uma certa dúvida no ar¿Mas tudo é apenas resultado de um papo de boteco. Não me levem a mal, viu genteeeeee?!?!?

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 11:13

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4.8.2004:

Essa é a minha primeira "tentativa" de escrever uma poesia em inglês. Perdão pelos erros...

Tear Drop


There are some fellings lost in my soul
You told me You didn¿t know who you love
But I know, I know¿
There¿re some places in my eyes where you live
Do you understand It?
I hope so¿
The hope is lost
Because I can¿t dream without you
If the clouds are crying tear drops, so is my soul
Do you belive it?
I¿m a crazy guy, and I love you so much
I¿m a crazy guy, and I can fly
I¿m a crazy guy, but I¿m not the only one
There are tears drop in my eyes
Do you know something about this?
I¿ll talk to you about this
Come back, my only love
Will you come back when the sun rise again?

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 15:03

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3.24.2004:

Amor Responsável


Com responsabilidade não se pode amar de verdade. Amor responsável é algo muito improvável. E não estou falando de sexo sem camisinha, não é nada disso. Estou falando de amor no sentido pleno da palavra. Ou você ama ou é responsável. As duas coisas ao mesmo tempo é uma impossibilidade. Se você acha que ama com responsabilidade, com certeza deve reavaliar bem seu romance. É muito provável que ele esteja sem sal, sem emoção. O amor precisa que sejamos irresponsáveis como a lua do sol para brilhar. Com "tudo certinho" só se constrói tédio. O tédio é o algoz do tesão. Para combatê-lo, só com muita irresponsabilidade. Se você for do tipo que gosta de tudo nos seus devidos lugares, prepare-se para muito sofrimento. Ou então para viver algo tão emocianante quanto uma partida de bocha. Não tem jeito. Com responsabilidade você pode ser uma ótimo profissional mas nunca um bom amante. O bom amante é naturalmente irresponsável. Seu charme está no inesperado. Ele nunca é previsível. Tem sempre uma carta na manga para surpreender a mulher. Se você acha que estou exagerando, repare naqueles casais amigos que saem com você e não trocam um beijo seguer durante toda a noite. Nem mesmo um carinho, um ligeiro carinho. Não. Estão ali juntos , mas se um estivesse no Rio e o outro em Sidney, daria no mesmo. Não se tocam, não se beijam. Parece que estão apenas "cumprindo tabela". Esse tédio dissimulado ou despercebido tem nome: amor responsável. Ninguém faz nada ou tenta fazer algo de novo. Sei lá¿podiam pegar o carro e passar um final de semana em Penedo, por exemplo. Ou mesmo viajar para Paris. É caro? Claro que é. Mas será que seu amor não merece um pouquinho de ousadia? Vai guardar dinheiro para quê? Para gastar quanto estiver com 90 anos? Não dá. Só sendo irresponsável para construir e manter grandes amores. Ou você nunca reparou que os caras muito certinhos são os mais desinteressantes? São os mais traídos, até. Nenhuma mulher merece viver ao lado de um criatura que apodrece em vida. Repare como os chamados "loucos" são os que vivem mais intensamente e são os mais desejados. Viver ao lado deles é não ter a falsa segurança dos lúcidos. É experimentar sempre e não ter medo de errar e ter que tentar de novo. Com responsabilidade, o amor vai continuar sendo assassinado. Todos os dias, em todos os lugares.

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 16:34

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3.17.2004:

Desmontando Sonhos


Pálida nitidez do sonho distorcido
Impávida manhã tão indiferente
Cinza insistente roubando o verde entristecido
Nenhuma tristeza é suficiente.

Sabemos de tudo que há de errado
Mantemos amor encarcerado
Vemos o proceder cínico reinar
Mantendo um sorriso torpe no olhar.

Pálida nitidez do silêncio da cor
Brumas teimosas desse último dia
Pelo telefone você não vê a minha dor
Calada, perdida, sem dono e vadia.

O som do desmonte do sonho
As lágrimas derramadas em vão
Soberbos saboreando seus egoísmos
E sonhadores agonizando pelo chão.

(Eduardo Mello Guimarães)

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 11:51

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3.6.2004:

Odeio o "Making of"


Acho os "making of " dos filmes uma burrice modernosa. E digo mais: são brochantes! Roubam do cinema aquela áurea mágica que tanto nos fascina. Sim, o making off é a morte da ilusão, do sonho romântico que o cinema sempre fomentou. É o assassinato da verdade deliciosamente irreal que vivemos durante mais ou menos duas horas naquela sala escura. Tudo bem que os técnicos no assunto estudem novas tecnologias para nos enganar cada vez melhor. Ótimo! Mas guardem para vocês, ilustres ilusionistas. Queremos que o cinema seja sempre a ilusão mais verdadeira e linda do mundo. O cinema é o óleo que não deixa nossas emoções enferrujarem. Queres saber como estão teus sentimentos? Vá ao cinema assistir a um bom filme. O cinema é um momento único de infinita grandeza. Somos todos felizmente hipnotizados pelos truques e interpretações geniais que saltam da telona e fazem nossos corações baterem forte avisando que estamos vivos. Aí vêm os caras e mostram: "olha, assim que nós fizemos pra te enganar, não somos geniais?". Não queremos saber! Adoramos ser enganados! Precisamos de enganos emocionantes para não apodrecermos em vida. Mas por favor, não nos contem como fizeram para nos ludibriar. O tesão está na mentira maravilhosamente contada. Nada mais doce do que a cantada genialmente inventada. E jamais revelada. Aí vêm os caras e estragam tudo. Vejam o exemplo do já desgastado "TITANIC". Na primeira vez que assisti, saí do cinema com a certeza da possibilidade do amor impossível. Mesmo que este naufrague e afunde ao se chocar com o rochedo do real e desça incólume para o fundo do gélido oceano da realidade. Mesmo assim, saímos do cinema quase que numa euforia de conquista de copa do mundo. Vi em cada rosto a paixão nua que as tristezas dos dias corroem e mascaram. Pois bem. Saímos dali e fomos todos: casais, solitários, amantes...Todos com sonhos em ebulição na alma. Fui para casa com o remorso corroendo o coração por não ter abraçado cada pessoa do cinema no final da sessão. Pois bem. Depois o que se sucede? Ligo a TV num canal a cabo e lá está: "agora você vai assistir ao making off do Titanic." O homem traduzia pateticamente: "Vejam como os bonecos foram jogados na hora que o navio parte ao meio" desliguei a TV na hora. Sabemos que tudo tinha sido um momento da mais doce ilusão. Mas pra quê nos contar a verdade? Por que assassinar a doce ilusão? Não existe arte sem dramaticidade. O público não merece ver o desmoronamento daquele momento de fascinação e delírio. Um bom filme estimula a libido. Nos faz amar melhor. Não resumam então o cinema a um projeto de engenharia de edifício.

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 19:02

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2.25.2004:

O Amante Perfeito


Acredite, você não é amado pelas suas qualidades. Não só por elas, vá lá, vá lá. Mas principalmente pelos seus defeitos. Se você é um cara egoísta ou egocêntrico ou frio, saiba que sua mulher ou namorada te ama mais por esses "predicados negativos" do que pelas suas qualidades. O amor só sobrevive alimentado pelos defeitos, pelo stress. Na verdade é impossível amar com poesias, flores e bons sentimentos. O amor, para sobreviver, precisa da emoção. E a emoção só existe quando os defeitos dominam as virtudes. Só com virtudes, nenhum amor dura muito. E emoção, para as mulheres, significa se sentirem constantemente inseguras. Nada mais falso do que dizer que as mulheres desejam segurança. Mentira. Elas desejam segurança material, mas de sentimentos, jamais. Você pode até conquistar uma mulher com poesias, flores, com seu bom caráter, com todas as suas qualidades. Mas para manter a famosa "chama do amor" é preciso insegurança, frieza, egoísmo etc etc. Só os canalhas, os falsos, os mentirosos, os egoístas possuem a possibilidade do sucesso amoroso. Só eles são admirados. Como são narcisos, jamais demonstram um amor incondicional. Toda mulher deseja o sofrimento com a mesma avidez que os famintos desejam um prato de comida. Por isso, o canalha é o amante ideal. Quantos vezes você já não viu um homem com inúmeras virtudes ser abandonado e um canalha ser amado loucamente? Não apenas amado, mas os canalhas autênticos são repudiados pelas mulheres apenas através das palavras. Tudo é um ódio "fake". No fundo, o canalha é admirado e amado. Quantas vezes você já não ouviu uma mulher falar " Ele não vale nada mas eu sou apaixonada por ele" ? Ou então - "ele é muito bom mas não sei falta alguma coisa." Tudo bem você poderá dizer que o segredo está no equilíbrio. Vamos conceder uma parcela de participação ao equilíbrio. É claro que existem homens fatásticos que são verdadeiramente amados. Mas são a triste minoria. Sei que estou sendo realista demais. Afinal, quando afirmo isso tudo, sou acusado de ridículo e xingado pelas mulheres. Compreendo e aceito as críticas. Na verdade, sou mesmo um frustrado. Não nego nem um pouco o meu ressentimento e inveja por não possuir os atributos dos canalhas. Admito isso. Realmente, insisto em contrariar essa lei natural da vida. Nasci com a vocação da esperança no amor incondicional. Sou um idiota romântico. Sei que essas palavras incomodam, mas assim é o mundo. Ninguém gosta de ver suas feridas expostas. Portanto, não tenho a menor intenção de obter a unanimidade dessa estúpida constatação. Foi observando o comportamento humano que cheguei a essa conclusão. Não é uma opinião. É uma verdade que salta aos olhos de quem não a teme. Com bons sentimentos e qualidades você pode construir grandes amizades, certamente. Mas os bons sentimentos e as melhores qualidades são vizinhos cordiais da solidão. Portanto, acho que a grande qualidade é um grande tesouro que deve ficar escondido até a hora certa. Mas nunca no início do amor. Só os piores defeitos devem ser revelados no início de uma relação. Ah! não esqueça: jogue fora os livros de auto-ajuda e os conselhos do tipo: calma que o que é seu tá guardado. Arght! Guarde o seu sublime(mesmo que você não tenha nada de sublime) para seus amigos autênticos. É a amizade o verdadeiro amor perfeito. Pois ninguém fica criando regras sobre ela. Nem dizendo um monte de besteira como eu estou fazendo agora.



EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 11:10

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12.1.2003:

Nada importa no quarto vazio/ Copos pela metade/ Cigarros incompletos/Suor seco no tapete/ Apaixonados?/Andam em direções opostas/Ninguém olha para trás/ Só o vento traz/ A umidade do pranto/De quem não chora mais/ Vem então a saudade/ Cicatriz da alma/ Dividida em dois/Tem mais força e mais valoriza/ Chega ele, o orgulho/Aumenta a distância/Distorce a melhor incerteza e escurece.../ No quarto vazio habita o passado/Chorando sobre a cama/ Seu tempo que já não passa/ A estupidez cega o amor/E nos oculta/ A brevidade da vida.

(eduardo mello)

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 22:49

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11.24.2003:

Embora você já tenha ido
Embora
Sinto seu corpo ardente junto ao meu.
Embora perdido
Embora cansado
O meu amor por você
Não vai embora.
Embora nada seja
Embora nada tenha importância
Naõ quero que você vá
Embora.
Embora eu já tenha ido
Embora.

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 07:46

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11.18.2003:

Ah... Quero de volta a solidão.
Ela me é muito mais suave
Do que a companhia da sua ausência.
Ah...Doce solidão de quem nada espera.
Vazio suave de dores adormecidas.
Quero voltar para o deserto das paixões
Viver do sonho de não ter nenhum desejo.

Sonho alto com você de novo aqui
E sua ausência me desperta com lágrimas indomáveis.
Seu corpo desliza pela minha pele erma do seu cheiro
E caio no silêncio do meu quarto com seu gozo gritando em mim.

Ah...Quem me dera viver de sorrisos permanentes
Sorrisos independentes do meu querer.
Ah...Quem me dera adormecer esse sonho maravilhoso
E nunca mais precisar te esquecer.

(eduardo mello guimarães)

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 08:08

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Outro Engodo


Rasgado amanheceu peito antes fortaleza
Solo de lágrimas deslizando pelo chão
Palavras nuas caíram no profundo silêncio
Ruas escuras não parecem escuras em vão.

Olho seu retrato cada vez mais passado
Vazio completo e perfeito e plangente
Não são folhas de branco amarelado
Que disfarçam essa ausência urgente.

Se sou bom demais para ser amado
Você é um ser de amor próprio solitário
Plágio de um discurso furado
Engodo para consolar otário.


EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 07:50

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11.17.2003:

FELICIDADE


A felicidade tem vários formatos
Contém variadas alegrias e tristezas.
Há felicidade que exige um pedaço de pão.
Há felicidade vazia com todo ouro do mundo.

A felicidade de uns poucos
Possui o vazio sem fundo da ambição.
A felicidade de muitos é rasa
Cabe até num ligeiro sorriso.

Há felicidade de todos os tamanhos
De todos os tipos e profundidades.
Há felicidade que mora no morro.
Há felicidade que voa pro Taiti.

Há felicidade que não se alcança nunca.
Outras que brilham atrás dos olhos fechados do beijo.
Há felicidade que já nasce morta.
Outras que vivem de saudade.

Há grandes felicidades nos lugares mais distantes
Longe de mim, longe de você, longe de todos...
A felicidade está sempre longe demais...
Há muita felicidade nos sonhos dormidos.
Eles não necessitam da aprovação da realidade.

A felicidade da mulher precisa da incerteza
Do ferro, da flor, do fogo, da força, do fel...

Há felicidade que se vê de olhos fechados
No fundo da alma limpa transparente.
Há felicidade que se compra na esquina
Traiçoeiro engano disfarçado de um sorriso.




Há felicidade que de tão grande
Se esconde receosa nos braços do medo.
Outras que desabam na boa fé da esperança
Há felicidade que só se vê
na grande infelicidade.

Há felicidade que se afoga no fundo do copo.
Que morre de estupidez

Há felicidade infinita no efêmero gemido de prazer.
No deslizar da menina pro mar;
Na corrida do menino da pipa;
No gol do time campeão...

Há felicidade em não se ter desejos
Em esquecer o impossível.
Há felicidade até em não se pensar em nada.

Dizem todos os poetas e filósofos
Que todas as felicidades são efêmeras
Perecíveis, instantâneas...
Já tentei segurá-las de várias formas
Mas elas sempre escapam
Por entre meus dedos impotentes.


( Eduardo Mello Guimarães)

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 07:14

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11.15.2003:

Mulheres Em Búzios


Todas são lindas. Mesmo as feias ficam lindas em Búzios. Talvez pela impossibilidade de serem feias na beleza infinita daquele lugar. O cenário é tão perfeito que falta espaço para o feio. Modelos. Todas as mulheres são modelos em Búzios. Desfilam radiantes com seus saltos altos pela passarela esburacada mais famosa do país: Rua das Pedras. Se você é mulher, não ouse ser feia em Búzios. Lembro que todas as vezes que fui lá, embriaguei os meus olhos na Ferradura, em Geribá, na Tartaruga...uma overdose de belezas. Juro que não vi sequer uma mulher feia. E olha que procurei. Não me digam que vocês também já estiveram lá e viram. Aposto que não olharam direito. Mulher feia em Búzios é uma eterna impossibilidade. Em Búzios elas possuem a certeza da imponência. Andam com um semblante sublime, soberbo. São todas princesas de um reino sem vassalas. Exigem que seus súditos, aqueles homens desesperados com um copo de cerveja na mão, admirem...admirem... e apenas admirem. Enquanto isso, elas deslizam radiantes com um brilho vitorioso no olhar pela rua do vai-e-vem onde ninguém... Não, não adianta procurar mulher feia em Búzios, meus amigos. Pra que insistir? E não me venham com aquela estória que ¿ não existe mulher feia, você é que bebeu pouco¿. Isso não serve para Búzios. Em Búzios, todas as mulheres possuem uma beleza sóbria. É bom porque vocês não precisam ficar enchendo a cara para ¿azarar¿. Tomem um refrigerante ou um copo de açaí ou mesmo um copo d¿água. Aí é com vocês. Mas lembrem-se: não ousem tocá-las. Isso pode provocar o mais desprezível olhar que vocês já viram. Não corram esse risco. Cumpram resignados com o papel de admiradores de arena. Ou vocês esqueceram que princesas são intocáveis? Não adianta amigos. Até a vizinha gorda e patusca do Nelson Rodrigues, cheia de varizes e com seu colar de brotoejas, ficaria linda em Búzios. Em Búzios não se permitem exceções. Já ouvi alguém dizer que toda mulher que entra na cidade, recebe o toque de Midas. Exagero? Talvez. Mas prestem mais atenção na próxima vez que vocês forem lá. Em caso de dúvida, consultem os seus oculistas antes de irem. Pois Búzios é uma surpresa agradável a cada olhar. Todas as mulheres bonitas do mundo sonham com Búzios. E não porque Brigitte Bardot, entediada, foi curar-se lá. E sim porque Búzios é o templo de Vênus e o sonho eterno de Apólo. As aparências não enganam em Búzios. O belo é lindo e o lindo, sublime. Os homens? Até o mais belo é apenas mais um figurante. A conclusão é óbvia. Búzios é das mulheres porque é como as mulheres: Impressiona, seduz, ilude e nos deixa a ver navios.
(eduardo mello guimarães)

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 06:32

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11.12.2003:


Cinema Paradiso


Nada há de concreto nas palavras que te dou
A cada segundo muda o quadro do mundo
Telas que meus olhos inventam
Para eu desenhar a felicidade do estar contigo

O que falo ou escrevo não tem matemática
Só existo para ocultar a verdade amarga dos seus dias
E quando você vê o sol brilhar fugidio
Meu corpo é sombra que nem toda luz pode revelar-te

Entre a minha surdez e a cegueira de tudo que a vida me mostra
Há relâmpagos de uma alegria e amor que o mundo não comporta
Sou a peça que se perdeu do jogo da memória
E a criança parou de brincar, pois o jogo ficou incompleto.

Sinto a alegria de poder escrever palavras tristes
Que emocionam aqueles que se emocionam com a tristeza
Das dores que não viveram na exatidão do que escrevo
A tristeza alheia tem a doce nostalgia do Cinema Paradiso.

Não posso dar o que você me pede
Com a sede de quem precisa do sofrimento.
Que tristeza posso te dar
Se ao seu lado o amor é pleno e a verdade da alma salta pelos olhos?

Ser sábio no amor moderno é óbvio e improvável para mim
Ser um fora-da-lei é tão solitário quanto um vira-lata na pracinha do subúrbio em dia de chuva.
Me acusam de dramático, de sonhador, de ser transparente demais
Só eu sei o quanto tento segurar as verdades que minhas mentiras não sustentam.

( Eduardo Mello Guimarães)






EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 10:09

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11.11.2003:

Atendendo ao pedido da minha amiga Letícia, estou publicanco o texto do RIDÍCULO de novo.
EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 09:52

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Ser ridículo de vez em quando é saudável. Só os ridículos autênticos é que não se sabem ridículos. Os bons sempre são ridículos constrangidos. Os ridículos natos e vocacionais vêem seus atos patéticos disfarçados de brilhantes. Os ridículos sazonais, não. Esses ficam se corroendo de vergonha após vislumbrarem o seu ridículo momentâneo. Sei que sou ridículo várias vezes ao ano. Talvez até diariamente ridículo. Alguns amigos dizem que faço uma leitura errada dos fatos. Que não vejo as coisas como elas são. Certíssimos. Não vejo nada como os outros vêem. Sou um ridículo adquirido, cego para as regras desse mundo. Os fatos, sempre os fatos, transformam o homem em momentos de estupidez. Sou mesmo totalmente cego para tais fatos mundanos. Erro, mas erro pensando. Prefiro ser um ridículo pensante. O pior ridículo é o que repete sem pensar o ridículo dos outros. E sai por aí a pregar aquilo que ele não sente, não acredita e não entende. A maior dificuldade do não-ridículo é aceitar que tantos ridículos autênticos assumam cargos importantes e se julguem geniais. Todo não-ridículo-nato é um impotente diante da conspiração poderosa dos ridículos constantes. Outro dia me vi fazendo mais um papel de ridículo. O senso de ridículo é inexistente quando se está apaixonado. Sei que isso já foi dito milhares de vezes. Paciência. Sei que é ridículo ficar aqui repetindo o que todo mundo sabe. Mas é a minha impossibilidade de não ser ridículo que me joga no lugar-comum. Além disso, a paixão não tem nada a ver com a razão. Muito menos com o coração. Se a paixão tivesse a ver com o coração, não faria tão mal a ele. Logo, são totalmente incompatíveis. Só mesmo o amor verdadeiro é serenamente ridículo. Só ele é cego para o ridículo corrompido dos verdadeiros ridículos. Só mesmo o amor para transformar o nosso ridículo num momento sublime repleto de eternidade.
EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 09:50

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11.6.2003:

Amor de Hollywood

Esse amor, tão propagado amor
Precisa de luzes, câmeras e ação
Sinopse da ilusão
Efeito especial da solidão.

Amor de cabelos sempre penteados
De sentimentos desesperados
Amor de gente aparentemente bonita,
Tão esquisita¿

Quero o seu amor pra mim
Amor de mulher genial,
Tão original.

Amor carnal, espiritual
Diferente
Sem um previsível the end.

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 10:50

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10.29.2003:

"A certeza da morte é o combustível do amor infinito"


A vida é um "olá" choroso sucedido por uma série de "adeus".
A cada ano partem familiares, partem amigos...
Cada segundo merece a intensidade, a ousadia e a coragem do último suspiro.
Por que não vou dizer que te amo?
Não sei se estarei aqui amanhã para fazê-lo
Hoje então é sempre o melhor dia para isso.
Amanhã fica sendo um ato a mais, um presente, um nova oportunidade, se vier...
Eu sei que alguém argüirá que existem regras, normas a serem seguidas para uma vida feliz
Minha vida passou da passividade para a ousadia veloz e impávida.
Coragem é dizer eu te amo sem ter a certeza da reciprocidade...
Dizem que assim não há sucesso, não há amor...
Dizem também que o amor não existe e que é tudo um jogo e uma briga de egos e manias.
E eu, vil, endividado, imprudente, descuidado, sonhador, impaciente, teimoso, apaixonado...Fico acordando enamorado do amor infinito que meu coração insiste em abrigar
Eu, o anti-teorias, o anti-mesmice, o anti-regras , estou preso a tudo em que não acredito.
A liberdade está no trabalho honesto e não nas mãos dos ladrões.

A vida nasce com prazo de validade indefinito.
Vivemos morrendo todo dia
É preciso ver a morte sem a foice
Sem a escuridão
É preciso pensar nela todos os dias
Pegar impulso na sua certeza
E dizer eu te amo
Eu te amo...

EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 08:06

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10.23.2003:

"Falo a língua dos loucos, porque não conheço a mórbida coerência dos lúcidos."
(L.F. Veríssimo)



EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 17:37

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10.20.2003:

Ela não gosta de ninguém.doc
EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 21:19

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Comments:

O PAPEL.doc
EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 21:19

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Comments:

Tirei essa foto da janela da casa dos meus pais na Barra. Viu como lá tem coisas bonitas, além da estátua da liberdade e outros engodos?
EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 15:27

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Comments:


EDUARDO MELLO GUIMARÃES // 15:24

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